"Animação cultural" e "0 ou 1"
Texto "Animação cultural"
O que mais me marcou no texto, inicialmente, foi a retomada de um mito antigo da criação humana para justificar, nas origens, a superioridade dos objetos sobre os homens. No mito, o primeiro ser humano surgiu a partir de uma imagem de barro inanimada, ou seja, os objetos não são precedem como condicionam a existência humana. Além disso, me chamou atenção o momento em que o autor alega que desejado processo de inversão da relação "homem-objeto" já se iniciou. Inicialmente, a tecnologia veio para transformar e criar objetos que ajudasse nas tarefas do homem, mas hoje em dia muitos dependem extensamente dessas tecnologias, como do celular. A dependência cotidiana desse aparelho é um exemplo da inversão da Relação homem-objeto proposta pelo objeto autor.
Pude perceber que no texto da maioria dos colegas também foi abordada a questão da dependência do telefone celular, das redes sociais e das outras tecnologias. Muitos mencionaram que esse vício é o primeiro passo para o processo de domínio dos objetos sobre homens. Além disso, foi mencionado também a questão da dependência dos objetos até mesmo para fazer a aula de AIA acontecer: são necessárias mesas, cadeiras, computadores, projetor e tela de projeção para que os professores cumpram seus objetivos em sala de aula.
Relação arquitetura e roupa
Em sala, foi feita uma comparação entre arquitetura e as roupas, ambas criadas pelo homem. Quando os homens descobriram que eles eram capazes de manipular a natureza (agricultura), muitos grupos deixaram de ser nômades e passaram a se instalar fixamente em alguns locais. Com isso, surgiram as primeiras estruturas arquitetônicas para abrigar as pessoas e seus objetos, por exemplo. As roupas surgiram também para abrigar o homem, protegendo-o do frio e de lesões. Aos poucos, tanto essas vestimentas quanto as primeiras edificações extrapolaram o limite do funcional (função de proteger, abrigar, aquecer, etc) e se tornaram também expressões da pessoalidade e do estilo de cada um ou de uma determinada classe social. Com isso, surgiu a arquitetura, arte da construção, e surgiu também a moda, arte da vestimenta. Até hoje, ambos fenômenos cumprem suas funções, mas também são formas de expressão artística daqueles que produzem uma coleção de roupas ou um edifício. Ao meu ver, o que diferencia esses dois universos é que a moda é muito mais fluida do que a arquitetura. A produção de elementos do vestuário é mais rápida e fácil do que planejamento e a materialização de um edifício, portanto, uma roupa ou um sapato saem de moda mais frequentemente do que um determinado estilo arquitetônico. É importante ressaltar que me refiro à moda e à arquitetura como duas artes construídas de tendências e estilos que estão sempre mudando e se modernizando, e não de uma peça de roupa ou de uma edificação específica.
Metáfora do 0 ou 1
A teoria do "0 ou 1" defende que estes números, apesar de terem significados muito diferentes e polarizados na sociedade atual, são empregados de forma combinada no meio digital e na informática. Por trás de todas as programações e sistemas existem códigos compostos por combinações e sequências destes números, ou seja, eles são distintos, mas estão sempre juntos. Na arquitetura, essa ideia de polarização aparece de diversas formas: uma delas é a polarização entre o artístico e o racional. O pólo artístico é caracterizado pelo uso da imaginação e criatividade para produzir elementos autênticos e estéticos. Já o polo racional engloba os padrões é pré-requisitos que tem ser seguidos atualmente nas construções: esses padrões vão desde os materiais e formas utilizadas, até a obrigação de atender ao mercado e aos anseios da população, sempre de forma econômica, funcional e ecológica.
Existem muitas edificações que estão situadas em apenas um desses pólos: são muito criativas e originais, mas não atendem esses pré-requisitos e acabam gerando problemas nos locais onde estão; ou se preocupam exacerbadamente em seguir os padrões e atender ao mercado, deixando de lado a área criativa e lúdica da arquitetura.
Eu penso que os profissionais formados hoje em dia na área da arquitetura tem de aprender a projetar e executar edificações que não estejam em apenas um dos polos, no 0 ou no 1, mas que consigo conciliar beleza estética, expressão criativa, autenticidade, sustentabilidade, economia, praticidade, etc.
Referente a questão de gênero sugerida pelos professores, vejo que ela se concretiza principalmente na decoração de quarto de crianças. O gênero é um aspecto polarizado entre feminino e masculino, entre o 0 e o 1. Por isso, muitas vezes os quartos de meninas são cor de rosa, decorados com bonecas, casinhas e bichos de pelúcia. Já os dos meninos, azuis, com carrinhos, bolas e bonequinhos. Hoje em dia, ja existem projetos de quartos de criança que saem desse binarismo e são decorados com cores e elementos diversos, fugindo dos padrões de masculino e feminino. Eu imagino que isso seja importante no crescimento da criança, para que desde que pequena ela não crie essa ideia de que carrinhos e esportes são só "coisa de menino", e bonecas e brinquedos cor de rosa, "de menina", e sim que ela pode usar a cor que ela gostar e brincar com o que a atrai, e não com que já é pré-estipulado de acordo com seu sexo biológico.
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